Yorgos Mitralias

Jornalista; membro fundador do CADTM grego e da campanha para uma Auditoria da Dívida.

Editou o livro Ouvrons les livres de la Dette – Ce qu'est et comment se fait l'audit de la dette (Atenas, ed. Alexandria).


Yorgos Mitralias Γιώργος Μητραλιάς

Não deixemos a Grécia de 2015 sozinha, como aconteceu à República espanhola em 1936!

Como era de prever, os «de cima», os que dirigem a União Europeia, estão em guerra contra o governo de Tsipras, que pretendem «neutralizar» ou mesmo derrubar. A razão é óbvia: se este governo anti-austeridade não desaparecer, pode criar réplicas na Europa, o que poria em perigo de morte o frágil e cada vez mais contestado domínio das políticas neoliberais e dos seus inspiradores espalhados pelo velho continente …

A cada dia se acumulam mais indícios – nalguns casos, provas – do plano em curso para tornar inoperante o novo governo grego. Como? Condenando-o desde já ao fracasso. Por um lado, os «parceiros europeus» tudo fazem para estrangularem financeiramente o governo de Tsipras, e com ele a Grécia inteira. Por isso sr. Schäuble (que cada vez mais faz lembrar um Dr. Strangelove dos nossos dias) repete à exaustão: «nem um euro será desbloqueado para a Grécia», enquanto o seu governo persistir em não aplicar escrupulosamente as medidas impostas pelo Memorando precedente. Detalhe eloquente: os eleitores gregos levaram – triunfalmente – o Syriza ao poder porque Tsipras e o seu partido prometeram fazer exactamente o contrário do que lhes pedem o ministro alemão e demais «parceiros europeus»: «Rasgar os Memorandos» e romper com as políticas de austeridade …

A peste negra ergue a cabeça nesta Grécia em fase terminal. Há alguém que a possa parar ?

Infelizmente, após as eleições de 17 de Junho, a esquerda grega surge tão desamparada perante a ameaça nazi da Aurora Dourada como antes de 6 de Maio. A prova? O sucesso da Aurora Dourada é apresentado como uma excepção numa situação geral muito animadora. É assim que todas as organizações que compõem a esquerda grega (incluindo o Syriza) descrevem a situação, ignorando que o surgimento e o crescimento súbito dos neonazis fazem parte da crise histórica da sociedade grega que os condiciona a todos!

SYRIZA triomphe et… perd les élections. Mais, peut être ce n’est que partie remise…

Le soulagement est générale parmi ceux d’en haut qui nous gouvernent et nous affament. L’euro s’envole, les marchés respirent, Mme Merkel exulte et l’Internationale dite « Socialiste » des Papandreou et Hollande se félicite de la « défaite » de ces empêcheurs de tourner en rond nommés Tsipras & Co. Alors, fin du cauchemar qui a vu les cobayes grecs se révolter et occuper le « laboratoire Grèce » ? La réponse est un Non catégorique. Le cauchemar est ici pour y rester et tout indique que le nouveau gouvernement grec sera fragile et faible, miné par ses contradictions internes, la crise qu’il ne maitrise pas et, surtout, par la résistance grandissante du peuple grec…

SYRIZA triunfa e… perde as eleições. Mas a luta continua...

O alívio é geral entre os de cima que nos governam e nos fazem passar fome. O euro safa-se, os mercados respiram, a senhora Merkel exulta e a Internacional dita “Socialista” dos Papandreou e Hollande felicita-se com a “derrota” destes empecilhos chamados Tsipras & Co. E então, acabou-se o pesadelo de ver as cobaias gregas revoltar-se e ocupar o “laboratório Grécia”? A resposta é um Não categórico. O pesadelo promete continuar e tudo indica que o novo governo grego será frágil e fraco, minado por contradições internas, pela crise que não controla e, sobretudo, pela resistência crescente do povo grego...

Lições úteis extraídas da experiência da campanha grega por uma auditoria cidadã

Yorgos Mitralias traz-nos um balanço pessoal a partir da experiência adquirida ao fim de um ano de campanha pela auditoria cidadã na Grécia, apontando as perspectivas que considera fundamentais na articulação entre os movimentos sociais, a auditoria cidadã e a resistência contra o sistema capitalista, neoliberal e austeritário que se vive na Europa.

Suspendre immédiatement le paiement de la dette, une question de survie pour la Grèce

La Grèce n'en peut plus de se dette et cela ne va pas s'arranger. Pour Renaud Vivien et Yorgos Mitralias, deux militants du Comité pour l'annulation de la dette du Tiers-Monde, il faut renoncer à son remboursement. Et le droit international le permet.

Un gouvernement d'union nationale vient de se former en Grèce avec comme premier Ministre Loucas Papadimos, ancien vice-président de la Banque centrale européenne (BCE). La priorité de ce nouveau gouvernement est de défendre le " plan de sauvetage " européen élaboré le 27 octobre à Bruxelles. Cette soumission des autorités grecques à leurs créanciers, en plus de constituer un déni démocratique supplémentaire à l'égard du peuple qui continue à se mobiliser contre les plans d’austérité à répétition, risque bien d'entraîner tout le pays dans un suicide collectif.

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