Vítor Lima

Economista. Assina geralmente sob o pseudónimo de Grazia Tanta e é um dos economistas de esquerda que mais trabalha para a construção duma imagem rigorosa da realidade portuguesa, baseada em dados objectivos e não em mitos. Por isso mesmo publicamos e referimos alguns dos seus artigos, ainda que ele não esteja de acordo com a proposta de auditoria cidadã como instrumento de mobilização social, e por isso mesmo tenha sido rudemente ostracizado por algumas organizações e tendências políticas. Autor de numerosos estudos sobre economia, finanças e segurança social publicados em http://grazia-tanta.blogspot.pt/.

Participa em diversos movimentos de organização e esclarecimento da população.

Na primeira parte desta análise o crédito total dirigido ao sector não financeiro é acompanhado de uma abordagem sobre uma das suas parcelas, o sector público. Nesta segunda parte iremos considerar outras duas restantes parcelas desse sector não financeiro – as famílias (incluindo entidades não lucrativas) e as empresas não financeiras. Como anteriormente, todas as grandezas são medidas em termos de percentagem do PIB para cada ano.

Os efeitos do capitalismo resultam da sua lógica de crescimento infinito para o valor criado, tomando a produção de bens e serviços úteis para a Humanidade como subsequente e não o objectivo central. No topo das decisões pairam malfeitores inteligentes e imbecis ambiciosos cujo único desiderato é criar valor, no caso dos chamados empresários, ou elevar o PIB, no caso das classes políticas.

O governo procedeu a uma reestruturação da dívida (juros e prazos) que foi apresentada pelo próprio governo e pela generalidade da comunicação social como uma operação de sucesso. Neste artigo Vítor Lima apresenta um estudo a quente de alguns dos dados dessa «reestruturação», seu significado e algumas das suas consequências. Fica claro, mais uma vez, que as reestruturações saem caras – aliás, como o povo grego já sabe há algum tempo.

O último acto oficial do ex-ministro das Finanças Vítor Gaspar foi uma portaria assinada em parceria com o ministro da Solidariedade e da Segurança Social, Mota Soares. Este diploma obriga o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) a comprar dívida pública portuguesa até ao limite de 90% da sua capacidade de investimento financeiro. Para cumprir este objectivo, o FEFSS terá de vender os seus activos em carteira – ou seja, abrir mão de um conjunto diversificado de investimentos seguros, onde se incluem acções de empresas e títulos de dívida de outros países da OCDE.

(comunicado de imprensa enviado por Vítor Lima e Rui Viana Pereira, em resposta ao silêncio generalizado da comunicação social perante mais este ataque demolidor à Segurança Social)