Nicarágua

Tropas da Frente Sandinista de Libertação Nacional nas ruas de Manágua, Julho de 1979 / lcr-lagauche.be
Tropas da Frente Sandinista de Libertação Nacional nas ruas de Manágua, Julho de 1979 / lcr-lagauche.be

Em Julho de 1979 triunfou uma autêntica revolução, combinando o levantamento popular, a autoorganização das cidades e dos bairros revoltosos, assim como a acção da FSLN, organização político-militar de inspiração marxista-guevarista-castrista.

Numa série de artigos, Éric Toussaint dá-nos os elementos necessários a uma compreensão objectiva da situação social, poítica e económica na Nicarágua de 2018.


 

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O cardeal Obando y Bravo e o casal presidencial Rosario Murillo et Daniel Ortega

A fim de ganhar as eleições presidenciais de Novembro de 2006, Daniel Ortega conseguiu tornar aceitável a sua eleição pelas classes dominantes, nomeadamente a associação patronal COSEP, a direcção da Igreja Católica representada pelo cardeal Obando y Bravo, os antigos presidentes Arnoldo Alemán e Enrique Bolaños, o FMI. Daniel Ortega fez também por conservar o apoio duma série de dirigentes das organizações populares sandinistas. E conseguiu alcançar este objectivo até aos dias de hoje. Os dirigentes em questão consideram Ortega o protector duma série de conquistas dessas organizações e sobretudo das suas direcções.

Mural sandinista na cidade de León

Boaventura de Sousa Santos fála-nos dos acontecimentos recentes na Nicarágua [2018] e das lições a tirar, do ponto de vista da esquerda e da solidariedade internacional.

Uma conversa entre Wahoub Fayoumi e Bernard Duterme, à volta dos confrontos entre as forças da ordem e os manifestantes na Nicarágua, cujo balanço em vidas, à data desta entrevista, era de 210 mortos desde 18 de abril.

mercenário pró-Ortega numa escola

Milhares de pessoas têm saído à rua na Nicarágua, em protesto contra as políticas do governo e a situação social e económica. Estes acontecimentos iniciaram-se em abril-2018 e tiveram como resposta do Governo, em vez de diálogo e negociação, uma repressão indiscriminada e feroz exercida por milícias fiéis ao presidente Daniel Ortega, criadas à margem das forças militarizadas do Estado. O saldo deste confronto, em meados de julho-2018, era já de pelo menos 210 mortos.

Enterro de «Abel» Guadalupe Moreno. Foto: Dora María Téllez  Leopoldo Rivas, Dora María, Ana Isabel Morales. Junho-1979

A repressão exercida pelo regime sobre quem protesta nas ruas da Nicarágua contra as políticas neoliberais brutais é uma das razões que levaram diversos movimentos sociais à condenação do regime do presidente Daniel Ortega e da vice-presidente Rosario Murillo. A esquerda tem múltiplas razões para denunciar esse regime e as suas políticas. Para compreender isto, é necessário resumir os acontecimentos desde 1979.

Pueden quitarnos la vida, pero nunca la libertad

Neste caderno será publicada a informação fidedigna que nos for possível obter sobre os dramáticos acontecimentos em curso na Nicarágua neste ano de 2018.