mercados financeiros

Mitos e funcionamento dos mercados financeiros

A extorsão organizada da dívida pública

A crise do sistema bancário aprofunda-se [1] e os Estados europeus estão condenados a depender da «boa vontade» dos mercados financeiros. A Europa de Maastricht e de Lisboa proíbe o Banco Central Europeu (BCE) de emprestar aos Estados. Consequentemente, os bancos privados usam e abusam do monopólio dos empréstimos aos Estados. Os mercados financeiros encontram-se assim em posição de determinar as taxas de juro que os Estados lhes devem pagar, e os bancos não se coíbem de tirar daí os maiores lucros. Por exemplo, a 25/outubro/2011 os mercados exigiram ao Estado espanhol, pelas «letras a 3 meses» (empréstimos com prazo de maturidade a 3 meses), 2,35% de juro, em vez dos 1,7% pedidos em fins de setembro (ou seja, um aumento de 40% num só mês!). A 14/novembro/2011 a Itália teve de pagar 6,29% por 3000 milhões de títulos a 5 anos, contra 5,23% no mês precedente. Feitas as contas, este empréstimo terá de pagar cerca de 50 milhões de euros a mais. No dia seguinte, a mesma sentença recaiu sobre a Espanha, para a emissão de 2600 milhões de euros em letras a 12 meses que atingiram uma taxa de 5,6%. Um ano antes, a 14/dezembro/2010, a taxa foi 2% mais baixa.