Opinião

A crise, para Marx, era uma oportunidade, o único momento de desorganização e enfraquecimento do Estado capitalista. Nesta entrevista, o economista José Martins desenvolve o tema da crise, critica os economistas finaceiristas por terem um programa de salvação do capitalismo, demonstra que os Estados Unidos continuam a ser o motor económico do Mundo e que a China não lhes pode fazer frente.

Atendendo à massificação de algum vocabulário hoje em voga na imprensa europeia, não deixa de causar estranheza que alguns conceitos como «perdão da dívida», «resgate financeiro», «ajustamento estrutural» sempre estivessem associados aos chamados países do Terceiro Mundo. Foi também neste hemisfério e em nome das mesmas razões que o Fundo Monetário Internacional (FMI), em conjunto com as outras duas instituições que pautam a ordem económica internacional – GATT- OMC (Organização Mundial do Comércio) e BM (Banco Mundial) – impuseram nestes países um certo «condicionalismo» como imperativo do resgate financeiro.

Ontem, 15 de Novembro de 2011, foi publicamente anunciada em conferência de imprensa a convocatória para um encontro nacional (designado convénio), a realizar em Lisboa a 17 e 18 de Dezembro, destinado a estabelecer as bases de arranque e organização duma auditoria cidadã.

Ora aí está – o «consenso» e a «reestruturação» tornaram-se o último grito da moda. Poderíamos mesmo baptizar esta nova moda de «consenso reestruturado».

Não há professor de economia, do MIT às universidades da Alemanha, passando por todos os grandes centros de hegemonia que ficam pelo caminho, que não fale da necessidade de reestruturar e renegociar a dívida soberana.

Banqueiros, dirigentes da UE, comentadores, politólogos e sociólogos amantes do regime, todos defendem, às claras uns, à socapa outros, a necessidade de reestruturar e renegociar a dívida dos países periféricos.

La Grèce n'en peut plus de se dette et cela ne va pas s'arranger. Pour Renaud Vivien et Yorgos Mitralias, deux militants du Comité pour l'annulation de la dette du Tiers-Monde, il faut renoncer à son remboursement. Et le droit international le permet.

Un gouvernement d'union nationale vient de se former en Grèce avec comme premier Ministre Loucas Papadimos, ancien vice-président de la Banque centrale européenne (BCE). La priorité de ce nouveau gouvernement est de défendre le " plan de sauvetage " européen élaboré le 27 octobre à Bruxelles. Cette soumission des autorités grecques à leurs créanciers, en plus de constituer un déni démocratique supplémentaire à l'égard du peuple qui continue à se mobiliser contre les plans d’austérité à répétition, risque bien d'entraîner tout le pays dans un suicide collectif.

Nem a Grécia suporta esta dívida, nem nunca poderá suportar. Para Renaud Vivien e Yorgos Mitralias, dois militantes do Comité para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo, é preciso repudiar o seu pagamento. E o direito internacional permite fazê-lo.

O G20 é tão pouco legítimo como o seu progenitor G7 (EUA, Canadá, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Japão), que o lançou há três anos, quando se fez sentir a severidade da crise económica mais grave desde os anos 1930. O G20 foi posto em xeque do início ao fim da sua reunião de 3 e 4 de Novembro de 2011, em Cannes. A crise da União Europeia e da zona euro é patente e está no centro de todas as preocupações. A pirueta do primeiro-ministro grego Papandreou, ao anunciar três dias antes da cimeira a convocação de um referendo na Grécia, voltou a pôr em causa os mais recentes planos para evitar a falência em cadeia dos grandes bancos privados europeus e o seu efeito de boomerang sobre as instituições financeiras norte-americanas[1].

Nosso estimado leitor Leonardo Shibata manda email para nossa redação informando que a gigante global norte-americana Hewlett-Packard (HP) também está transferindo da China para o Japão boa parte da sua produção de laptops. A HP pretende produzir 1.4 milhões de desktops e laptops na fábrica japonesa.

Na noticia indicada por Leonardo, o economista Yuichi Ishida, da Mizuho Investors Securities Co. de Tóquio, bota lenha na fogueira: a HP está se mandando para o Japão porque a “China tornou-se menos atrativa como base global de manufaturas…As despesas com pessoal na China estão crescendo cerca de 20 por cento ao ano”1. Quer dizer que os Estados Unidos não são os únicos para onde empresas globais começam a fugir dos “altos salários” da China? Também o Japão? Estamos em cima de um lance quentíssimo.

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