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Passados quase 5 meses sobre a publicação de um apelo à auditoria cidadã em França, o processo entrou numa fase decisiva e a mobilização popular ganhou uma dinâmica invejável. É notável sobretudo a forma como o carácter duma auditoria cidadã foi rapidamente apreendido e implementado pela movimentação cívica francesa – o processo vive da mobilização cidadã a nível local e sectorial.

Ciclo documental sobre a crise da dívida na Islândia e a surpreendente resposta da população.

De 8 a 29 de Março, às quintas, no espaço Nimas: Av. 5 Outubro, 42B, Lisboa

Apelo do Comité Grego contra a Dívida, por um jornada europeia de solidariedade com o povo grego, e ao mesmo tempo de acção contra as políticas de austeridade, de privatização e de desmantelamento dos serviços públicos em toda a Europa.

Athènes, le 17 février 2012

CherEs amiEs, cherEs camarades,

Nous, le Comité grec contre la Dette, prenons l’initiative de nous adresser à vous tous, en vous proposant de decider, préparer et d’organiser une grande, unitaire, combattive et massive journée européenne de solidarité au peuple grec, et en même temps d’action contre les politiques d’austérité, de privatisations et de démantèlement des services publics dans toute l’Europe, avec comme d’ordre l’annulation de la dette publique grecque.

Discours de Sonia Mitralia, membre du Comite grec contre la Dette et de l’Initiative des Femmes contre la Dette et les Mesures d’Austérité, prononcé au meeting de Marseille du 17 février, organisé par la campagne française « pour un audit citoyen de la dette publique ».

Discurso de Sonia Mitralias, membro do Comité Grego contra a Dívida e da Iniciativa das Mulheres contra a Dívida e as Medidas de Austeridade, pronunciado no encontro de Marselha de 17 de Fevereiro 2012, organizado pela campanha francesa «por uma auditoria cidadã da dívida pública».

Por toda a Europa estão a decorrer manifestações, abaixo-assinados e outros actos de solidariedade com o povo grego.
Em Lisboa, Coimbra e Porto realizam-se manifestações de solidariedade nos próximos dias.

O novo tratado internacional e o memorando que acompanham a «redução» da dívida pública grega empurram o povo grego rumo a ainda mais pobreza. A sua implementação implicará, inevitavelmente, uma queda dramática na qualidade de vida e nas condições laborais e tornar-nos-á escravos dos credores do estado. A redução de pensões e salários, a revogação da legislação relativa à contratação coletiva (violando o disposto no Art.º 22.º da nossa Constituição) e o despedimento de 150 mil funcionários públicos terão como consequência a fome generalizada e salários de 300 ou 400 euros mensais. O desemprego, já em níveis históricos, atingirá os 30 porcento. Esta nova redução da despesa pública, sobretudo na saúde, fará diminuir a esperança média de vida e os índices de mortalidade alcançarão níveis semelhantes aos de África. A próxima ronda de privatizações vai deixar a saúde do povo grego nas mãos de empresas privadas, negando ao estado uma fonte de rendimentos no futuro. O Art.º 13.º do novo acordo determina que a emissão de obrigações seja feita em consonância com a legislação inglesa e luxemburguesa, o que constitui um insulto e uma humilhação para um estado soberano e impõe o cativeiro virtual de todo um povo, ao tentar impedir qualquer renegociação da dívida. Já agora, também protege os nossos credores do impacto de uma eventual saída da Grécia da Zona Euro.

Conforme anunciado anteriormente, realizou-se ontem, em Lisboa, um debate público sobre a dívida soberana. A sessão teve início com breves apresentações feitas pelos 4 oradores convidados, que lançaram cada qual seu mote preferido (pagar, não pagar, suspender, renegociar a dívida externa); seguiu-se o debate aberto, onde participaram cerca de 30 pessoas.

Veja-se a intervenção de um dos membros do público, Nuno Cardoso da Silva, professor de economia:

 

Realiza-se dia 16, às 18h, em Lisboa, um debate público sobre a dívida soberana.

Quatro oradores com diferentes visões sobre a questão da dívida pública farão uma introdução ao tema, esperando-se que o público presente dê seguimento ao debate.

Local:

sede da UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta,
no Centro de Cultura e Intervenção Feminista,
Rua da Cozinha Económica,
Bloco D - Espaços M e N
(por cima do Pingo Doce de Alcântara)

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