18/11/2011

Uma perspectiva militante

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Todos os problemas sociais podem ser vistos a partir de múltiplas perspectivas. A dívida soberana não é excepção.

No mundo real, certas perspectivas permitem uma boa leitura dos cenários; outras deixam-nos às escuras.

O CADPP adopta uma perspectiva que não só permite olhar com clareza o problema do endividamento nacional, mas também perceber de que forma os movimentos sociais podem agir sobre ele.

  1. As questões económicas, financeiras e contabilísticas devem subordinar-se inteiramente aos interesses gerais das populações. Como corolário:

    • a dívida soberana é um problema eminentemente político; apenas subsidiariamente é uma questão económica e contabilística;
    • a montante do problema da dívida soberana actual encontra-se o problema do endividamento público permanente;
    • as entidades, individuais ou colectivas, directa ou indirectamente responsáveis pelo endividamento ao longo de muitas décadas não podem solucionar o problema que elas próprias criaram;
    • são os trabalhadores quem suporta o ónus do reembolso da dívida pública; apenas eles podem resolver o problema; para isso devem organizar-se em movimentos cívicos e tomar conta dos acontecimentos;
    • alterar o processo em espiral do endividamento público visa um objectivo consagrado nas cartas dos direitos universais humanos, cívicos e políticos: melhorar o bem-estar das populações.
  2. A propalada ideia de que a questão da dívida é duma complexidade sobre-humana é falaciosa; destina-se a atemorizar o cidadão comum, levando-o a abrir mão da participação nas decisões sobre o seu próprio destino. Sendo o endividamento público um problema eminentemente político, devemos partir do princípio que o seu grau de complexidade se aproxima do zero, ou seja, é semelhante ao de todos os outros problemas políticos, quando abordados através duma pergunta simples: quem beneficia da situação?
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