13/10/2012

Declaração de Manolis Glezos a propósito da atribuição do prémio Nobel da Paz à UE

O Prémio Nobel da Paz foi atribuído à União Europeia – sim, essa mesma estrutura de poder que num crescendo vem esmagando todas as populações dos países periféricos europeus, provocando uma situação que cada vez mais assume contornos de catástrofe humanitária.

Esta é uma daquelas notícias que nos fez perder um tempo imenso a verificar a sua origem e fiabilidade, a tal ponto se assemelha a uma anedota sarcástica. Mas não: é mesmo verdade.

Aqui transcrevemos uma declaração de Manolis Glezos a esse propósito.

 

Declaração de Manolis Glezos a propósito da atribuição do prémio Nobel da Paz à UE

Ora bem, o Nobel da Paz vai para a União Europeia! Exactamente no momento em que é ameaçada a coesão social no Sul da Europa, onde as crianças vão para a escola esfomeadas, onde os cidadãos vivem num estado de guerra económica não declarada, onde espreita a catástrofe humanitária!

Na Grécia, esse pequeno mas não insignificante recanto da Europa, poucos dias antes, os funcionários europeus de baixa patente ousaram requerer o impensável: a evacuação das ilhas gregas com menos de 150 habitantes, a fim de... economizar!

Lembrem-se os representantes da galardoada União Europeia que uma das mais pequenas ilhas do mar Egeu, Keros das Cíclades, doou à humanidade a maior parte das obras de arte que representam a civilização cicládica. Lembrem-se, já agora, da sacralidade doutra pequena ilha, a de Delos.

E se, depois de tomarem tudo isto em consideração, ainda assim continuarem a acreditar que fizeram pelo nosso povo tudo quanto lhes era possível, vão lá então receber o vosso prémio.

Atenas, 12/10/2012

Manolis Glezos *

 


* Manolis Glezos, 90 anos, é o símbolo vivo da resistência contra a ocupação nazi. A 30/05/1941 foi um dos jovens que derrubaram a enorme bandeira nazi hasteada na Acrópole. Condenado à morte sucessivas vezes durante e depois da guerra civil, M. Glezos viveu encarcerado mais de 11 anos, no total. Actualmente é deputado do Syriza (Coligação da Esquerda Radical).

Fontes e referências: 

Manolis Glezos, 12/10/2012, declaração pública. Tradução (da versão francesa): Rui Viana Pereira.

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