02/06/2012

Sair do euro ou não?

Se esta discussão – sair do euro ou não – tem alguma espécie de utilidade prática neste momento da luta contra a austeridade, a dívida e o capitalismo, é coisa difícil de dizer. Mas o facto é que se trata de um debate em curso desde há algum tempo na esquerda europeia, e portanto faz sentido dar nota dele.

Existem já bastantes tomadas de posição acerca do tema – umas simplesmente acaloradas, outras bem fundamentadas, seja do ponto de vista económico, seja do ponto de vista político. Tentaremos dar aqui uma panorâmica sumária dos principais argumentos expostos de ambos os lados, transcrevendo uma série mínima de textos de alguns autores.

Resumidamente, de um lado encontramos as teses que defendem não ser possível garantir crescimento económico dentro da zona euro, visto que, por mais que se baixem os salários, jamais será possível bater a produtividade de economias como a alemã enquanto nos encontrarmos dentro da zona euro, cuja política económica e monetária foi feita precisamente à medida das economias dominantes; no campo oposto encontramos aqueles que afirmam que adoptar uma solução estritamente económica e monetária, regressando às moedas nacionais, além de ser uma pseudo-solução individualista ou nacionalista votada ao fracasso económico, é um favor que se faz ao capital, que precisamente anseia por uma guerra de competição produtividade-preço dentro da zona europeia – donde, a solução teria de passar prioritariamente pela refundação anticapitalista da Europa, e não por uma reaplicação habilidosa das regras do próprio capitalismo.

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