19/02/2012

Proposta do Comité Grego contra a Dívida

Caros amigos, caros camaradas,

Nós, Comité Grego contra a Dívida, tomamos a iniciativa de nos dirigirmos a todos vós, propondo que aprovem, preparem e organizem uma grande, unitária, combativa e massiva jornada europeia de solidariedade com o povo grego, e ao mesmo tempo de acção contra as políticas de austeridade, de privatização e de desmantelamento dos serviços públicos em toda a Europa, tendo como palavra de ordem a anulação da dívida pública grega.

A razão de ser desta proposta é evidente: tomando a dívida como pretexto, a Troika, ou seja o FMI, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia, transformaram a Grécia num laboratório das políticas de austeridade bárbara mais desumanas, antidemocráticas e anti-sociais. Ao testar a capacidade de resistência do povo grego, assim transformado em cobaia, a Troika abre o caminho para a aplicação generalizada dessas mesmas políticas em toda a Europa. Passados que são dois anos após o lançamento desta agressão frontal contra a «cobaia» grega, não resta a mínima dúvida: nas ruas e praças gregas joga-se não apenas o destino da sociedade grega, da soberania nacional e da democracia grega brutalmente agredida, o destino do povo grego, dos trabalhadores e reformados, dos desempregados, das mulheres e de todos os oprimidos do nosso país. Joga-se também o destino da imensa maioria dos cidadãos europeus, aos quais a Troika, a reacção antidemocrática e o grande capital estão prestes a aplicar o mesmo futuro.

Por isso não temos receio de dizer: o que a Espanha foi em 1936 para a Europa dos oprimidos, tende a luta da Grécia a ser em 2012 para os destinos da Europa dos nossos dias! Em1936, houve uma derrota porque a resistência espanhola ao fascismo triunfante permaneceu tragicamente só e sem ajuda. Nem vale a pena recordar-vos o pesadelo das consequências da derrota da «cobaia» espanhola e as feridas que ela deixou em aberto até aos dias de hoje.

A questão que vos pomos é simples: estaremos dispostos a aceitar hoje que a história se repita, poderemos aceitar uma derrota esmagadora da actual «cobaia» grega, que teria consequências trágicas e de longo prazo para todos os povos e todos os trabalhadores da Europa?

 

Caros amigos, caros camaradas,

Estamos convencidos que a vossa resposta será um NÃO retumbante. No entanto, isto não basta no estado actual de coisas. Num momento de grande urgência e desespero, pois o povo grego não tem uma capacidade ilimitada de resistência perante um inimigo de âmbito internacional superarmado e extremamente bem organizado e coordenado, a situação exige uma primeira manifestação europeia de solidariedade directa, sonora e massiva. Por outras palavras, precisamos duma mobilização à escala europeia dos oprimidos, a qual teria dupla função: por um lado, mostrar aos gregos em luta que não estão sozinhos, que o seu combate faz parte do combate mais vasto de todos os europeus oprimidos, e que portanto têm mais hipóteses de vencer; por outro lado, constituir o primeiro passo e ponto de partida para a criação e desenvolvimento do movimento europeu de resistência em massa de que todos necessitamos!

 

Tendo tudo isto em conta, cremos, caros amigos e camaradas, que o encontro de 7 de Abril em Bruxelas das campanhas de auditoria dos países europeus e do Norte de África oferece uma boa ocasião para discutir mas também para adoptar e levar por diante a nossa proposta, de forma a obtermos o apoio do maior número possível de movimentos sociais e de forças sociais, sindicais e políticas do nosso continente…

Esperando a vossa reacção positiva, aguardamos a vossa resposta, bem como outras ideias, propostas ou iniciativas da vossa parte.

 

Saudações fraternas

O Comité Grego contra a Dívida
Atenas, 17-02-2012

Fontes e referências: 

Comité grego contra a Dívida: www.contra-xreos.gr

Tradução: Rui Viana Pereira.

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