18/02/2012

Somos todos gregos!

autores: 

manifestação de solidariedade com a Grécia

hoje às 18h

Lisboa: Rossio
Coimbra: Praça da República

e também

dia 20.02

Lisboa: Largo de S. Domingos
Porto: Praça da Batalha

Por toda a Europa estão a decorrer manifestações, abaixo-assinados e outros actos de solidariedade com o povo grego.

Já não é possível recusar esta evidência: se não atalharmos drasticamente, a situação da Grécia é o modelo do que nos espera a todos nós, europeus – a barbárie neoliberal não se dará por satisfeita com a completa destruição e pilhagem dum só país de 10 milhões de habitantes. Estamos todos na calha, todos somos a vítima que segue.

A solidariedade devida ao povo grego começa (na opinião deste redactor) começa por razões humanitárias evidentes. Embora a maioria da comunicação social portuguesa, como de costume, procure reduzir tudo a um mero exercício de esgrima em que o florete dos argumentos políticos abstractos esconde o horror das pessoas que morrem de fome, da caça aos cães e gatos nas ruas da Grécia como desesperada solução de recurso, da ruptura de stocks de medicamentos, da situação dos presos há vários dias encerrados nas suas celas sem alimento, dos suicídios, das crianças subnutridas nas escolas... – apesar da batota jornalística, basta uma breve busca na Internet para ficar a par da realidade nua e crua.

Além destas razões humanitárias, acrescem as razões políticas. E não pesam menos estas.

São dois os laboratórios principais onde se ensaia o fim da solidariedade social, da democracia, do respeito pelos direitos humanos adquiridos à custa de tanto sangue e após várias guerras mundiais: a Hungria e a Grécia.

Olhando para estes dois países, ficamos a conhecer os planos da extrema-direita e do neoliberalismo para todos os países da Europa, a começar pelos da periferia. Embora por vias diferentes, em ambos os casos o cenário é arrepiante – começa a tornar-se claro para todos os cidadãos europeus conscientes dos factos em curso a tremenda ameaça política que pesa sobre todos num futuro próximo; não é difícil, para aqueles que viveram experiências passadas de repressão feroz e ditadura, admitirem que esse futuro já começou. Por isso, ainda que pondo de lado o espírito de solidariedade internacional, ainda que reduzindo tudo à mesquinhez dos interesses locais, continuaria a haver razões ponderosas para denunciar a actuação dos poderes públicos e das instituições financeiras, a bancarrota da democracia e a calamidade humanitária em curso na Grécia – e igualmente, apenas com pequenas diferenças de escala, em Portugal e noutros países.

Para conhecer a amplitude do movimento de solidariedade na Europa, consultar: http://realdemocracy...

Secção: 
Editores: 
Subscribe to Syndicate