Lista breve dos materiais gráficos, panfletos, etc., do CADPP
O CADPP publicou um sumário de razões para repudiar a dívida. A primeira edição foi distribuída em Lisboa na manifestação de 22-03-2012, em duas versões – folheto e livro de bolso. Nele procuramos resumir, de forma didáctica e numa linguagem acessível a todos, o resultado de um ano de estudo e investigação sobre o problema da dívida pública.
Muitos dos temas expostos foram até hoje inteiramente silenciados pela comunicação social. Por isso é natural que alguns leitores sintam dificuldade na abordagem e assimilação de certas questões. À medida que os leitores nos forem expondo as suas dúvidas, iremos revendo e melhorando este instrumento de trabalho em edições futuras.
Pomos à disposição de todos o material necessário para imprimir o texto, na esperança de que por todo o país outras pessoas e grupos tomem a iniciativa de divulgação (ver ficheiros descarregáveis no pé desta página).
Um país devedor pode declarar unilateralmente a interrupção do pagamento da dívida pública e respectivos juros.
A suspensão do pagamento da dívida não é inédita. Entre 1946 e 2008 houve 169 suspensões do pagamento da dívida, com uma duração média de 3 anos.
Há várias razões legítimas para o fazer, entre as quais: encargos inesperados resultantes duma calamidade natural ou social; recursos limitados para responder às tarefas prioritárias dos Estados (direitos humanos, saúde, educação, assistência social); dúvidas sobre a legitimidade da dívida – neste caso faz-se uma auditoria acompanhada de suspensão dos pagamentos até à conclusão do processo, como aconteceu no Equador em 2008.
Sim, a Irlanda, a Argentina, os EUA, a Inglaterra, a Alemanha, a Bélgica, a Rússia. No Equador o resultado da suspensão e da auditoria foi a anulação de cerca de 65 % da dívida; o dinheiro assim libertado foi reinvestido em políticas sociais de educação, saúde, habitação e assistência social.
A anulação consiste em «apagar» uma dívida – por ela ser injusta; ou por se basear num contrato ferido de ilegalidades; ou por ter sido contraída em proveito de terceiros e não em benefício daqueles que a pagam; ou mesmo por ser considerada impossível de pagar dentro dos limites do razoável.
A anulação pode ser decidida pelo credor (caso da Noruega em relação a países devedores do Norte de África); ou por acordo mútuo; ou por decisão unilateral do país devedor.
Por diversas razões e em vários momentos da história houve Estados que decidiram unilateralmente não pagar a dívida – com destaque para os EUA (por várias vezes), entre muitos outros incluindo Portugal.
Entre 2007 e 2010 foram apagados cerca de 1,5 biliões de dólares de créditos duvidosos aos bancos. Esses bancos não foram à falência – já tinham sugado muitos mais biliões em juros – e os países não faliram; pelo contrário, na maioria dos casos o país devedor recompôs a sua economia e prosseguiu as relações comerciais internas e externas sem sobressaltos.
É legítimo pedir às instituições privadas com elevados rendimentos, que possuem títulos da dívida e têm obtido lucros chorudos e bons negócios graças às medidas de endividamento, austeridade e privatização, que suportem o fardo da anulação de dívidas soberanas ilegítimas, já que são largamente responsáveis pela crise.
A Islândia não salvou os seus bancos e não pagou as dívidas externas destes. Hoje, o primeiro-ministro responde em tribunal por ter levado o país à bancarrota. E a Islândia está com crescimento económico.
A partir da década de 1980, os países do Terceiro Mundo sofreram a intervenção do FMI e do Plano Brady, em tudo semelhante aos planos agora aplicados pela Troika na Europa.
Através do FMI, as instituições financeiras privadas emprestaram dinheiro aos Estados, para «ajudarem» a «reestruturar» a economia. Em contrapartida exigiram: juros elevados; redução dos salários, das pensões, dos serviços sociais; privatização de bens colectivos e empresas rentáveis do Estado; desinvestimento na saúde, no ensino, na habitação, na assistência social, nas infraestruturas; cumprimento escrupuloso dos planos de pagamento.
Após vários anos de aplicação desta receita, a economia desses países melhorou e «reestruturou-se»? Não! Todos eles resvalaram para a bancarrota e a economia entrou no caos; o montante da dívida não parou de crescer.
Os países que declararam unilateralmente a suspensão do pagamento da dívida (Argentina, Equador, etc.) conseguiram sair deste ciclo infernal, o que lhes permitiu um crescimento económico até 9 %, acompanhado de quedas acentuadas da taxa de pobreza urbana.
Não! É um empréstimo.
Mas não é um empréstimo normal e justo. Os credores aproveitam-se da necessidade urgente dos devedores, e à conta disso fixam taxas de juro que os estrangulam ainda mais e os tornam eternamente dependentes de mais e mais dívidas; são agiotas e devem ser julgados como tal. Além dos juros, os credores exigem medidas de austeridade para a população, a fim de transferirem benefícios para as instituições privadas.
Não se trata de uma ajuda ao país, mas sim às instituições financeiras privadas!
Não! Todo dinheiro da Troika destina-se a dois fins: refinanciar a dívida e injectar capital na banca. Portugal pede dinheiro emprestado à Troika para amortizar dívidas contraídas junto da banca (dos 78 mil milhões pedidos à Troika 12 mil milhões são para financiar a banca e 34 mil milhões para pagar juros e comissões). Pede dinheiro para pagar dívida, a dívida gera juros, os juros geram a necessidade de pedir mais dinheiro…
A dívida pública é contraída através da emissão de títulos da dívida vendidos em leilão. Cada título é uma espécie de declaração dizendo que o comprador emprestou uma certa quantia ao Estado, e que o Estado terá de devolver esse dinheiro, mais os juros, num determinado prazo. Mas este leilão não é público; apenas podem entrar no leilão algumas instituições financeiras – o Chico dos Anzóis fica à porta. Estas instituições reúnem-se em cartéis, de forma a adquirirem força suficiente para forçarem o Estado a aceitar as suas taxas de juro e condições de pagamento. Senão, não compram – o capital sabe unir-se…
Para arranjarem dinheiro suficiente para comprarem grandes quantidades de títulos de dívida pública, no valor de milhões de euros, os bancos vão muitas vezes financiar-se junto da Reserva Federal norte-americana, do Banco Central Europeu e de alguns fundos de investimento norte-americanos, que lhes emprestam dinheiro a taxas de juro que variam entre 0,6 % e 1,25 %. Mas depois exigem aos Estados taxas de juro entre 2,06 % e 38 %. Os países mais fragilizados pela espiral da dívida, como a Grécia e Portugal, pagam juros mais altos. Os países dominantes, como a Alemanha e a Holanda, pagam taxas mais baixas. E assim a dominação mantém-se.
Estas regras permitem fazer o jogo dos interesses financeiros, em vez de «ajudar» o país.
Sucessivos governos empurraram para o futuro as despesas públicas com negócios privados de lucro garantido, oferecidos às grandes empresas: Lusoponte, PPPs, EDP, banca, etc.
Parte da dívida do governo português resultou da injecção de capital em bancos comerciais privados, que perderam dinheiro no jogo das especulações imprudentes. O Estado salvou da falência estes bancos e os seus accionistas maioritários – à custa dos contribuintes e dos pequenos accionistas. Para proteger os interesses dos especuladores que deram origem à crise financeira, todas as outras pessoas são chamadas a pagar, quando estes credores deviam estar no banco dos réus. Não estamos todos no mesmo barco.
Actualmente a dívida cresce sozinha graças à acumulação de juros. Entre 2009 e 2010 cresceu 11 %; entre 2010 e 2011, 16 % (estes números variam consoante as fontes).
Não! Os credores e as instituições financeiras privadas é que andaram a viver acima das suas possibilidades.
Os bancos privados e os grandes grupos económicos esbanjaram lucros chorudos; embarcaram em especulações financeiras desastrosas. Agora dizem que têm de ser resgatados com dinheiros públicos para salvar a economia. Mas na realidade há aqui duas «economias»: a dos trabalhadores e a do capital.
Num país onde o salário mínimo líquido ronda os 380 euros e um passe de transportes públicos pode chegar aos 58 euros, dizer que os trabalhadores vivem acima das suas possibilidades é uma infâmia.
A dívida pública é contraída pelo Estado; a dívida privada é contraída pelas empresas e famílias. O trabalhador mata-se a trabalhar para pagar o empréstimo da casa, mas isso é uma dívida privada que não tem nada a ver com a dívida pública: se ele não conseguir pagar, o Estado não a paga por ele.
Mas há dívidas privadas que são assumidas pelo Estado, ou seja pelos contribuintes: lembremo-nos de todas as PPPs, em que empresas privadas garantem rentabilidade sem riscos; dos milhões pagos no resgate do BPN e posterior venda ao desbarato; da fuga aos impostos da PT, etc.
O regabofe com o nosso dinheiro, a transformação de dívida privada em dívida pública, é permitido pela dança de cadeiras entre políticos e administradores de grandes empresas.
A confusão entre dívida privada e dívida pública visa convencer toda a gente a pagar a dívida privada de alguns.
As medidas de austeridade transferem massivas quantidades de valor do trabalho para o capital: afunda-se uma parte do país na pobreza; salvam-se os banqueiros e grandes empresários. É um balancé em que uns se afundam e outros emergem.
Por exemplo: o Governo reduziu as verbas do fundo de desemprego, com a desculpa de que vai usar parte desse dinheiro para incentivar a criação de novos postos de trabalho. Portanto, se eu for um industrial desonesto, posso fechar a fábrica, despedir todos os meus trabalhadores e depois voltar a abrir e pedir o «subsídio de desemprego» ao Estado para criar «novos» postos de trabalho – passo a pagar metade dos salários; a outra metade é paga pelos contribuintes…
Não! A dívida é ilegal, porque sustentada em engrenagens de poder corrupto, baseadas em equilíbrios e jogos económicos que mais não são do que extorsão.
A dívida é ilegítima porque não foi contraída em proveito dos que a pagam; porque é reembolsada à custa de impostos regressivos (isto é, paga mais quem tem menores rendimentos), taxas de IVA incomportáveis, amputação de serviços indispensáveis, diminuição dos cuidados de saúde, supressão de subsídios sociais e redução de salários.
Segundo o artigo 1º do Pacto Internacional dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais,
«todos os povos têm o direito a dispor deles mesmos. Em virtude deste direito, eles determinam livremente o seu estatuto político e asseguram livremente o seu desenvolvimento económico, social e cultural».
Estamos assim legitimados para, mediante um acto unilateral, promover um esforço de cidadania fundado no repúdio de uma dívida que, além de injusta, arrastará o país e as gerações futuras para um ciclo indeterminado de pobreza.
Não! Primeiro porque esta dívida não é nossa. Segundo porque um acordo só é válido quando foi feito em pé de igualdade negocial. Todo o dinheiro que foi pedido beneficiou alguém; todo o dinheiro que é pago em juros beneficia alguém – e esse alguém não têm sido os trabalhadores, precários, desempregados, estudantes.
Estamos a pagar empréstimos que não entraram no nosso bolso; empréstimos destinados a oferecer vantagens comerciais, industriais, juros e oferta de capitais para as instituições financeiras privadas.
Pagar esta dívida constitui uma desonra, uma injustiça humilhante.
Não. O conjunto de regras que orientam o sistema financeiro actual (e toda a economia) foi implementado num processo não democrático. Todos os tratados europeus e legislação complementar que instituem coisas como o modo de funcionamento do Banco Central Europeu, a moeda única, etc., foram aprovados sem o envolvimento da população portuguesa.
Existem regras históricas para lidar com a crise da dívida. Estarão a ser aplicadas? Serão aplicadas por igual a todos os países? Não!
O Acordo de Londres de 1953 sobre a dívida alemã estipulou que a relação entre o serviço da dívida e os rendimentos das exportações não devia exceder 5 % das receitas de Estado. Esta regra não foi aplicada aos países da periferia europeia, nem consta do Memorando da Troika.
A 2 de Dezembro de 2011, os juros da dívida a 10 anos pagos pela Alemanha, Holanda, França, Finlândia situavam-se entre 2 % e 3,3 %; Portugal estava a pagar 14,46 %, a Grécia 37,48 %.
As normas internacionais estipulam que as despesas públicas destinadas a garantir os direitos humanos e sociais fundamentais não podem ser diminuídas nem desviadas e têm prioridade sobre as despesas relativas ao reembolso da dívida. Esta regra não está a ser seguida – portanto as actuais condições de endividamento podem ser legitimamente denunciadas.
O Estado não está falido. Está é a gastar demasiado com serviços que não dizem respeito aos maiores contribuintes, ou seja, os trabalhadores.
Todos os gastos do Estado podem ser, grosso modo, divididos em dois grupos:
Um, os gastos com educação, saúde, transportes, saneamento básico, segurança social, etc. O IRS, as contribuições para a Segurança Social e o IVA são mais que suficientes para pagar essas funções. O valor do IRC (imposto sobre as empresas) representa cerca de metade do IRS.
Outro grupo de gastos do Estado são os gastos no exército e ordem pública, formação de mão-de-obra, etc., e subsídios às grandes empresas.
Feitas as contas a todas estas colectas, a maior parte do dinheiro existente nos cofres do Estado vem dos trabalhadores – o que é estranho, uma vez que a maior parte do dinheiro existente não lhes pertence.
Os hospitais públicos, escolas e universidades, tribunais, espaços públicos, bibliotecas, transportes, segurança social e outros serviços públicos não estão acima das nossas possibilidades, bem pelo contrário… Mas se introduzirmos nas contas os juros da dívida, os subsídios às PPP, aos bancos, … então o Estado passa a ter défice.
Claro que não, pelo contrário. Porque é que quiseram «dar» o fundo de pensões da banca ao Estado? Esses fundos são altamente deficitários porque foram desbaratados em operações de especulação financeira.
Tanto a PT como a Banca venderam ao Estado algo por um preço muito superior ao preço de mercado e ainda conseguiram um bónus na forma de 20 anos de perdão fiscal; a população em geral terá de desembolsar esse bónus para compensar essas perdas fiscais. Trata-se mais uma vez de tapar um buraco privado empenhando o futuro colectivo.
A segurança social não está nem nunca esteve na bancarrota. A sua possível crise não pode resultar do aumento da esperança de vida, que é largamente suplantado pelo aumento da produtividade do trabalho.
Por outro lado, se olharmos para a segurança social como parte do salário indirecto dos trabalhadores, pago através das suas economias e gerida por um Estado corrupto e ao serviço dos ricos, então não é de estranhar que ela possa vir a ficar em crise. Principalmente, devido aos cortes salariais e aos cortes das contribuições dos patrões para a segurança social.
O Fundo de Capitalização da Segurança Social é um mecanismo encontrado pelo governo para jogar com o nosso dinheiro no mercado financeiro, expondo os trabalhadores a riscos inaceitáveis.
Se os cidadãos suspeitam que estão a pagar serviços, bens e dívidas que não lhes dizem respeito, têm o direito de consultar todos os documentos administrativos do Estado para verificarem onde está o problema. Este direito está consagrado nas normas internacionais e na nossa Constituição.
Evidentemente esta investigação não pode ser feita por empresas ou figuras de alguma forma comprometidas com as estratégias políticas e económicas – tem de ser feita pelos cidadãos comuns, organizados a nível local.
Foi isso que aconteceu em vários países do Terceiro Mundo. É isso que está em curso em França, na Grécia, na Espanha, na Irlanda e noutros países europeus.
Se a auditoria concluir que existem ilegitimidades, os cidadãos têm o direito de exigir a anulação dessas dívidas e a responsabilização civil de quem as contraiu, conforme previsto no artigo 22º da Constituição.
Os trabalhadores estão a contribuir mais do que as empresas privadas para erário público. Além disso as contas públicas e os contratos de endividamento são geridos de forma obscura. Segundo a lei, as contas do Estado – onde gasta, porquê – têm que estar acessíveis a todos.
O dinheiro das contribuições serve para atender às necessidades prioritárias da população, conforme mandam a Constituição portuguesa e as normas das Nações Unidas.
A gravidade das medidas de austeridade, a transferência de capitais e bens públicos para o sector privado, a falta de transparência dos contratos públicos, o desaparecimento misterioso de dinheiros da segurança social mais do que justificam a necessidade urgente de os cidadãos tomarem a iniciativa cívica de investigar o que se está a passar.
Porque ninguém paga uma conta sem ver a factura.
A quem devemos? Como foi contraída a dívida? Quem beneficiou dela?
Depois de vermos a factura, provar-se-á se nos diz respeito ou não; se estamos a pagar empréstimos para nosso benefício ou não; se devemos pagá-la ou repudiá-la.
Entretanto, enquanto se apuram as respostas, a dívida cresce. Para o evitar, deve ser suspensa.
Não. À boleia da crise, todos os Estados europeus estão a cortar salários e serviços públicos, usando como desculpa a dívida – que no fundo não é mais do que uma forma privada de acumulação de capitais.
A única saída para a Europa é a generalização dos protestos sociais e a construção de organizações sociais, políticas, sindicais que sejam realmente combativas e se recusem a entrar no nacionalismo. Não existe economia nacional, existe economia dos trabalhadores e economia das grandes empresas. A única saída para os povos da Europa é a luta comum pela igualdade de salários e de contratos de trabalho colectivos.
Portugal expropriou a banca há 40 anos atrás. Isso foi feito pela população, trabalhadores e estudantes. A expropriação dessa riqueza foi essencial para subir os salários, criar o sistema nacional de saúde e educação para todos.
Mais tarde, os bancos voltaram a ser privatizados. E agora pedem para ser salvos da bancarrota, «a bem da economia». Se um banco é grande demais para falir, ele é grande demais para ser privado. Os bancos devem ser públicos e estar ao serviço das pessoas e não do lucro.
Mas expropriar a banca significa pô-la definitivamente sob controle dos trabalhadores – e não encarregar o Estado de pagar as dívidas e pôr a gestão em ordem, para depois voltar a entregar o banco às mãos dos privados.
Sair do euro é um caos para Merkel, Sarkozi, Passos Coelho, António José Seguro, Belmiro de Azevedo, Mellos e toda classe de sanguessugas que por aí andam. Se Portugal ou outro país qualquer sair do euro, é provável que o próprio euro não se aguente.
Não vamos tentar ler o futuro numa bola de cristal, mas o certo é que muitos países não estão no euro e não vivem no caos, pelo contrário.
Portugal produz uma quantidade de riqueza que podemos medir aproximadamente pelo PIB (produto interno bruto). Esse é o valor que em princípio temos para gastar: parte em produtos internos e parte em produtos importados. A diferença entre o valor das exportações e o das importações chama-se saldo da balança comercial, que pode ser positivo ou negativo – se for negativo, é preciso recorrer a empréstimos.
Há várias maneiras de tentar equilibrar a balança ou obter um saldo positivo. O governo optou por aumentar a exportação para, segundo diz, diminuir o défice da balança comercial. Esse aumento relativo das exportações tem sido conseguido pela diminuição do poder de compra da população, à custa de cortes salariais, redução dos serviços sociais e desemprego nos sectores que produzem para o mercado interno. Naturalmente, quem beneficia com isso são os sectores exportadores. Quem se prejudica com esta alternativa? O consumo interno, ou seja, a população em geral e os sectores produtivos.
É importante frisar que há uma outra alternativa para melhorar o saldo da balança comercial: substituir produtos importados por produtos produzidos no território. O problema é que na cabeça dos investidores o que conta é a taxa de lucro e não a necessidade das pessoas; enquanto essa lógica guiar a economia, ou seja, for mais conta para o lucro importar em vez de produzir, essa opção nunca será tomada.
As pessoas que insistem no argumento de que o problema são os gastos do Estado deviam responder a uma pergunta simples: o que tem o gasto do Estado a ver com o saldo deficitário da balança comercial? É verdade que o Estado recorre ao mercado internacional para financiar o seu défice; mas é precisamente essa a questão que está mal (o défice desnecessário). Uma vez mais, desde que o Estado não seja usado para beneficiar interesses capitalistas, o dinheiro dos impostos é mais que suficiente para fazer face às suas necessidades.
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