Juros dos países periféricos sobem

As taxas de juro implícitas da dívida pública italiana, portuguesa e grega estão a subir para novos máximos históricos. Em causa está a crise que se vive na Grécia e os receios de contágio a Itália.

O impasse político na Grécia parece ter chegado ao fim, com o Governo de George Papandreou a chegar a acordo com a oposição sobre o governo de unidade nacional. Lucas Papademos é o nome que está a ser avançado pela comunicação social como o mais provável novo primeiro-ministro. E se a Grécia está a caminhar para resolver os problemas internos, o foco está a virar-se para Itália. O receio de contágio da crise da dívida soberana a Itália está a aumentar, numa altura em que se deteriora o apoio político ao primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi. Três deputados que apoiavam o governo abandonaram a coligação. Dois passaram para a oposição.

O porta-voz de Olli Rehn, Amadeu Altafaj, pediu hoje a Itália para que esta apresente as medidas concretas dos cortes orçamentais e as reformas estruturais, bem como o calendário das mesmas.

A pressão está a aumentar sobre Itália e isso é visível nos juros. A taxa de juro implícita a dois anos de Itália superou esta manhã os 6% pela primeira vez desde o euro. Os juros das obrigações a dois anos estão agora a subir 42,2 pontos base para 5,885%, aliviando dos 6,190% atingidos esta manhã. A tendência é de subidas em todos os prazos.

Mas não é só Itália que está a observar uma subida acentuadas dos juros, com os investidores a exigirem uma remuneração mais elevada para estarem expostos ao risco da dívida soberana das economias da periferia da Zona Euro.

A taxa de juro das obrigações portuguesas a dois anos está a subir 22,6 pontos base para 20,362%, tendo chegado 20,492%.

Na Grécia, os juros continuam a subir de forma descontrolada, com a taxa implícita nas obrigações a dois anos a disparar 762,8 pontos base para 105,60%, tendo chegado nos 107,34%.

Em França, a subida é de 10,5 pontos base para 1,185%. Em Espanha, o aumento é de 10,2 pontos base para 4,357%.

A única que consegue escapar é a Alemanha, com os juros praticamente inalterados, mas com tendência negativa, já que estes servem de refúgio aos investidores em alturas de maior incerteza.

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RuiVianaPereira
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