Rui Viana Pereira

Fundador do CADPP. Tradutor, revisor e sonoplasta. Participa activamente em movimentos de organização e esclarecimento político. Nascido em Lisboa, Portugal, 1952.

Trabalhos publicados:
    • A Sustentabilidade da Segurança Social e o Desemprego – em co-autoria com Renato Guedes, in A Segurança Social É Sustentável; Bertrand Editora, 2013
    • Quem Paga o Estado Social em Portugal? – em co-autoria com Renato Guedes, in Quem Paga o Estado Social em Portugal?; Bertrand Editora, 2012

Sobre o contexto e antecedentes do MEE (Mecanismo de Estabilidade Europeia), e a forma como a crise europeia foi objectivamente programada, ver também courtfool.info, «MEE, um golpe de estado em 17 países», entre outros.

Em 17 de dezembro de 2010, o Conselho Europeu aprovou a criação do MEE. Nos considerandos iniciais podemos ler:

Encontramo-nos perante um novo truque de prestidigitação: para criarem um órgão que subtrai a soberania de cada Estado-membro, os poderes da UE produziram um emaranhado de tratados que vêm sobrepor-se aos anteriores. Estes tratados falam de cimeiras do euro, de cimeiras de ministros das finanças, de mecanismos de ajuda e estabilização financeira, etc., mas é difícil entender como tudo isso se articula para governar os cidadãos europeus.

Segundo uma notícia do Jornal de Negócios, os funcionários da Maternidade Dr. Alfredo da Costa foram proibidos de prestar declarações à comunicação social por ordem da Autoridade Regional de Saúde.

Passados quase 5 meses sobre a publicação de um apelo à auditoria cidadã em França, o processo entrou numa fase decisiva e a mobilização popular ganhou uma dinâmica invejável. É notável sobretudo a forma como o carácter duma auditoria cidadã foi rapidamente apreendido e implementado pela movimentação cívica francesa – o processo vive da mobilização cidadã a nível local e sectorial.

Para alguém que não ponha os pés numa universidade há muitos anos, entrar num estabelecimento de ensino superior pode ser uma experiência chocante – em muitos casos a primeira coisa que se vê em destaque à entrada é um banco comercial, ao ponto de nos fazer pensar que talvez nos tenhamos enganado na morada e entrado num centro comercial.

As faculdades foram desde tempos imemoriais uma espécie de templo sagrado – imune à imundície exterior, dedicado à preservação do conhecimento colectivo. É certo que esse templo é também a fábrica donde saem as armas do poder ideológico (o mais determinante de todos, segundo alguns autores) e portanto a sua imunidade à imundície do poder sempre foi relativa. Mas ainda assim durante muito tempo conservou alguma independência.

Breve crónica parcial e comentada da IAC. A aventura da criação duma auditoria cidadã à dívida pública portuguesa.

Sim, senhores, foi uma semana rica em disparates elucidativos.

O discurso de António José Seguro

O n.º 1 do PS fez um discurso longuíssimo num encontro de militantes que pretende discutir «ideias» para a próxima legislatura.

Está em curso a consolidação de novas formas de poder e governação na Europa. Que essas novas formas são de inspiração neoliberal ou ultraliberal, está bem à vista. No entanto essa evidência não basta para despertar as consciências e lançar a resistência plena.

Conforme anunciado anteriormente, realizou-se ontem, em Lisboa, um debate público sobre a dívida soberana. A sessão teve início com breves apresentações feitas pelos 4 oradores convidados, que lançaram cada qual seu mote preferido (pagar, não pagar, suspender, renegociar a dívida externa); seguiu-se o debate aberto, onde participaram cerca de 30 pessoas.

Veja-se a intervenção de um dos membros do público, Nuno Cardoso da Silva, professor de economia:

 

Os juros cobrados pelo Banco Central Europeu (BCE) à banca privada voltaram a baixar para 1% há já alguns dias. Foi o preâmbulo duma injecção de capitais massiva nas últimas semanas, para recapitalizar um conjunto de bancos. A tudo isto vem agora acrescentar-se novo mimo: a concessão de empréstimos implica sempre uma contrapartida de garantias; é claro que não vale dar o relógio de pulso como garantia – existe uma lista de garantias aprovadas. Esta lista, que já tinha sido estendida pelo BCE em Setembro de 2011, voltou agora a sofrer nova extensão – praticamente vale tudo, pouco falta para chegarmos ao relógio de pulso.

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