Rui Viana Pereira

Fundador do CADPP. Tradutor, revisor e sonoplasta. Participa activamente em movimentos de organização e esclarecimento político. Nascido em Lisboa, Portugal, 1952.

Trabalhos publicados:
    • A Sustentabilidade da Segurança Social e o Desemprego – em co-autoria com Renato Guedes, in A Segurança Social É Sustentável; Bertrand Editora, 2013
    • Quem Paga o Estado Social em Portugal? – em co-autoria com Renato Guedes, in Quem Paga o Estado Social em Portugal?; Bertrand Editora, 2012

TECG + MEE – novo tratado para a governação europeia

Encontramo-nos perante um novo truque de prestidigitação: para criarem um órgão que subtrai a soberania de cada Estado-membro, os poderes da UE produziram um emaranhado de tratados que vêm sobrepor-se aos anteriores. Estes tratados falam de cimeiras do euro, de cimeiras de ministros das finanças, de mecanismos de ajuda e estabilização financeira, etc., mas é difícil entender como tudo isso se articula para governar os cidadãos europeus.

A dinâmica da auditoria cidadã em França

Passados quase 5 meses sobre a publicação de um apelo à auditoria cidadã em França, o processo entrou numa fase decisiva e a mobilização popular ganhou uma dinâmica invejável. É notável sobretudo a forma como o carácter duma auditoria cidadã foi rapidamente apreendido e implementado pela movimentação cívica francesa – o processo vive da mobilização cidadã a nível local e sectorial.

A financiarização dos estudantes

Para alguém que não ponha os pés numa universidade há muitos anos, entrar num estabelecimento de ensino superior pode ser uma experiência chocante – em muitos casos a primeira coisa que se vê em destaque à entrada é um banco comercial, ao ponto de nos fazer pensar que talvez nos tenhamos enganado na morada e entrado num centro comercial.

As faculdades foram desde tempos imemoriais uma espécie de templo sagrado – imune à imundície exterior, dedicado à preservação do conhecimento colectivo. É certo que esse templo é também a fábrica donde saem as armas do poder ideológico (o mais determinante de todos, segundo alguns autores) e portanto a sua imunidade à imundície do poder sempre foi relativa. Mas ainda assim durante muito tempo conservou alguma independência.

Pagar ou não pagar - importância do estudo e debate

Conforme anunciado anteriormente, realizou-se ontem, em Lisboa, um debate público sobre a dívida soberana. A sessão teve início com breves apresentações feitas pelos 4 oradores convidados, que lançaram cada qual seu mote preferido (pagar, não pagar, suspender, renegociar a dívida externa); seguiu-se o debate aberto, onde participaram cerca de 30 pessoas.

Veja-se a intervenção de um dos membros do público, Nuno Cardoso da Silva, professor de economia:

 

BCE não poupa mimos à banca privada

Os juros cobrados pelo Banco Central Europeu (BCE) à banca privada voltaram a baixar para 1% há já alguns dias. Foi o preâmbulo duma injecção de capitais massiva nas últimas semanas, para recapitalizar um conjunto de bancos. A tudo isto vem agora acrescentar-se novo mimo: a concessão de empréstimos implica sempre uma contrapartida de garantias; é claro que não vale dar o relógio de pulso como garantia – existe uma lista de garantias aprovadas. Esta lista, que já tinha sido estendida pelo BCE em Setembro de 2011, voltou agora a sofrer nova extensão – praticamente vale tudo, pouco falta para chegarmos ao relógio de pulso.

Os malentendidos da reestruturação

Todas as palavras transportam consigo uma herança histórica, cultural, etimológica. É isso que nos permite entendermo-nos, comunicarmos e construirmos uma imagem do mundo que nos rodeia.

Após muitos meses de conversas particulares com activistas, lendo os seus blogues, examinando os seus rascunhos, propostas e resoluções, ouvindo intervenções escritas ou orais que infelizmente nem sempre ficam para a história, começo finalmente a compreender o enorme malentendido que se gerou à volta das expressões «reestruturação» e «renegociação».

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