Eric Toussaint

Professor na Universidade de Liège, mestre em Ciências Políticas pelas Universidades de Liège e Paris VIII.

Presidente do CADTM Bélgica (Comité para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo, www.cadtm.org); porta-voz do CADTM internacional; membro do conselho científico da ATTAC França.

Foi membro da comissão de auditoria do Equador. Coordenador científico da Comissão para a Verdade sobre a Dívida Pública grega, instituída pela presidente do Parlamento grego em abril-2015.

Obras publicadas:

Bancocratie, Aden, 2014.
Procès d’un homme exemplaire
, Editions Al Dante, Marselha, 2013.
Auditar. Anular. Alternativa Política
, co-autoria com Damien Millet, Temas e Debates, 2013. Ed. francesa: AAA. Audit Annulation Autre politique, Seuil, Paris, 2012.
La dette ou la vie, co-autoria com Damien Millet, Editions Aden, 2011.
60 Preguntas 60 Respuestas, co-autoria Damien Millet, Icaria Editorial, 2009; ed em francês: Syllepse e CADTM

Quase todos os dirigentes políticos, sejam de esquerda ou de direita, sejam do Norte ou do Sul, devotam um verdadeiro culto ao mercado, e aos mercados financeiros em particular. Deveria dizer-se que eles fabricam a religião dos mercados. E todos os dias é dita uma missa para honrar o deus Mercado, em cada lar munido de uma televisão ou de ligação à internet, no momento em que são debitadas as cotações da Bolsa e as previsões do mercado financeiro. O deus Mercado envia sinais pela voz do jornalista de economia e do cronista financeiro. E isto acontece não apenas em todos os países mais industrializados, mas também em quase todo o planeta. Quer se esteja em Xangai ou em Dakar, no Rio de Janeiro ou em Tombuctu, receberemos sempre os «sinais enviados pelos mercados».

A Grécia, à semelhança de todos os países periféricos europeus, encontra-se numa situação de endividamento, de desastre social com traços de tragédia humanitária e de limitação de soberania – uma situação comparável em muitos aspectos à da Alemanha no pós-guerra.

Nesta série de artigos Eric Toussaint analisa e compara os procedimentos e tratados aplicados à Grécia e à Alemanha, enquanto países devedores. O primeiro artigo traça o quadro das condições aplicadas à RFA, comparando-as com o tratamento aplicado à Grécia actual.

O G20 é tão pouco legítimo como o seu progenitor G7 (EUA, Canadá, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Japão), que o lançou há três anos, quando se fez sentir a severidade da crise económica mais grave desde os anos 1930. O G20 foi posto em xeque do início ao fim da sua reunião de 3 e 4 de Novembro de 2011, em Cannes. A crise da União Europeia e da zona euro é patente e está no centro de todas as preocupações. A pirueta do primeiro-ministro grego Papandreou, ao anunciar três dias antes da cimeira a convocação de um referendo na Grécia, voltou a pôr em causa os mais recentes planos para evitar a falência em cadeia dos grandes bancos privados europeus e o seu efeito de boomerang sobre as instituições financeiras norte-americanas[1].

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