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A dívida para totós...

A primeira parte deste texto apresenta alguns conceitos básicos como a distinção entre o défice e a dívida, para quem não está familiarizado com eles, e uma ideia pessoal de algumas razões que nos conduziram à situação actual.

A segunda parte possui uma demonstração, baseada num modelo matemático simples apresentado em anexo, de como as soluções propostas pelos governantes nunca poderão resolver o problema da dívida durante o nosso tempo de vida.

Afinal de quem é a culpa?

O texto “a economia não tem culpa” aqui publicado a 19 de Janeiro foi escrito como comentário numa discussão e não tinha em mente a sua publicação. Nesse texto a “economia” refere-se à ciência social que estuda os fenómenos económicos, sejam lá o que eles forem, e não se refere a esses fenómenos económicos em si.

Seja como for, se existe um texto com semelhante título, então deve também existir, do mesmo autor, uma tentativa de atribuição de responsabilidades neste processo a que chamamos “a crise”.

A economia não tem culpa

A economia não tem culpa. Tal como dizia noutro dia a alguém que o xadrez não é elitista. O xadrez é um conjunto de peças e um conjunto de regras que dão origem a um jogo. Quem o joga é que pode ser elitista.

A economia é uma ciência social. O facto de ser uma ciência social implica que é muito distinta daquilo que eu chamo de ciências naturais (da natureza, que não a humana, mas estou aberto a outras classificações). Além disso, dizer que é uma ciência não quer dizer que não tenha fé à mistura. Tem, claro que sim. Todas as ciências têm fé à mistura. Porque é que se acredita que a matéria atrai mais matéria? Simplesmente porque sempre se constatou que assim era. E porque, com base nisso, foram sendo construídas teorias mais ou menos elegantes que supostamente explicam as coisas que vão acontecendo. E apesar disso, não deixa de ser uma questão de fé acreditar que matéria atrai matéria, porque nunca poderemos estar certos de que um dia não vai aparecer alguma coisa diferente.